A cruzada fracassada para impedir que uma mina de terras raras caísse nas mãos da China. Durante anos, um projeto de mineração na África parecia prometer ajudar o Ocidente a se livrar de sua dependência da China para obter terras raras, essenciais para a fabricação de tecnologias de ponta como computadores, smartphones e veículos elétricos. No entanto, a história dos esforços da australiana Peak Rare Earths é um exemplo de como Pequim conseguiu dominar o fornecimento global desses minerais críticos, usando habilmente essa posição para obter ganhos geopolíticos.
A Peak, uma mineradora australiana, havia descoberto um dos melhores depósitos de terras raras do mundo na Tanzânia em 2010. Em vez de enviar o minério para a China, planejava refiná-lo no Reino Unido, criando uma operação totalmente integrada fora da Ásia. Essa iniciativa poderia ter sido um golpe significativo contra a hegemonia chinesa no mercado de terras raras. No entanto, a realidade é que a China já controlava a maioria das grandes minas de terras raras do mundo e exportações chinesas maciças mantinham os preços baixos, tornando difícil para empresas ocidentais levantar recursos para abrir novas minas.
Em 2019, Rocky Smith, então CEO da Peak, pediu ajuda de governos estrangeiros para desenvolver a mina na Tanzânia. O timing era bom. O então presidente Trump estava no auge da guerra comercial com Pequim, e a mídia estatal chinesa alertava que a China poderia usar terras raras como arma. “Os Estados Unidos correm o risco de perder o fornecimento de materiais vitais”, dizia um texto da época. Mas, apesar das alertas, a Peak acabou vendendo a mina para um gigante chinês de terras raras no início do outono. Esse foi apenas mais um capítulo de um padrão que significa que, até 2029, Pequim receberá todas as terras raras provenientes da Tanzânia, um dos principais novos polos desses elementos.
A venda da Peak é uma perda estratégica, dizem especialistas em minerais críticos. “Isso aumenta o poder de mercado [chinês] e aumenta a capacidade deles de desestabilizar um mercado que já é muito frágil”, afirma uma especialista do Center for Strategic and International Studies. Com a China restringindo o fornecimento de terras raras ao mundo ao longo do ano, países ocidentais têm buscado depósitos de minerais críticos para colocar rapidamente em operação. No entanto, empresas chinesas já compraram muitos dos depósitos mais promissores, deixando os ocidentais com poucas opções.